short story - 2.4
Até que recebi uma carta de minha irmã dizendo que estava muito doente e que precisava me contar uma coisa. Fui até sua casa na vila, com uma pontada de preocupação. Que doença seria? Mas ela não sabia. Disse-me que estava doente e nenhum médico soube dizer o que era. Nem tentaram medicá-la; disseram que ela morreria em breve pois já tinham visto os mesmos sintomas em outras pessoas e elas morreram em menos de um ano. Parecia ser uma nova epidemia.Não me assustei quando ela mencionou a palavra 'epidemia'; não estava dando muito valor a minha vida recentemente. E ela disse que tinha que me contar.
- Contar o quê?
- Nosso irmão... ele ainda está no hospício? - acenei, afirmando. Ela abaixou a cabeça. Permaneceu assim por alguns segundos e depois me encarou novamente. - Lembra-se que ele começou a dormir na capela, não é?
Sim, claro que me lembrava. Há muito tempo, mas me lembrava. Foi o começo de tudo.
- Ele me contou o porquê - e não me contara? Será que eu tinha feito algo que o desagradou? Acenei com a cabeça para que continuasse. - Ele... estava tendo visões, irmã.
- Visões? Que tipo de visões?
- Do tipo tenebrosas.
- Quão tenebrosas?
Ela olhou para os lados, para as janelas, como se procurasse alguém para poder se esconder.
- Eles. Eles! Eles diziam que mamãe morreria. Eles diziam que ela ia morrer e que não podíamos fazer nada. Disseram que se ele obedecesse o que eles ordenassem, salvariam nossa mãe. Mas eles mentiram! Fizeram-no acreditar que você a matou.
- Mas eles quem? Quem são?!
Minha irmã avançou no meu braço estendido para segurar seu ombro e olhou profundamente nos meus olhos. Ela estava alterada, eu vi pela íris dos seus olhos.
- Os demônios.

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